
Adriana Molder, O Jardim de Bruegel, da série RAIOS, 2026, tinta-da-china sobre papel esquisso, 220 x 200 cm
— até que o relâmpago fulmine a língua
e nada mais se consiga ouvir
Antes do trovão, há um silêncio que tudo contém. Num pergaminho carbonizado encontrado nas ruínas de Herculano, George Steiner leu um dia este aforismo: quando o relâmpago fala, diz escuridão.
É nesse paradoxo que vivem os desenhos de Adriana Molder — no instante em que a luz irrompe não para iluminar mas para revelar a profundidade do negro que a rodeia.
RAIOS não é uma exposição sobre o relâmpago. É uma exposição feita dele mesmo.
Adriana Molder apresenta na Galeria 111 uma nova série de sete desenhos de grande escala e três telas moldadas suspensas, aquelas que por força do impulso — e da sua paixão — são uma habitual passagem do desenho à escultura. Superfícies que se tornam volume. Tratam-se de obras de grande formato, com formas irregulares e orgânicas onde a tinta-da-china incide sobre o papel esquisso para reafirmar a importância do retrato no corpo central do seu trabalho. Introduzem-se aqui novas explorações, através da recriação de ambientes exteriores, e claro, a soturnidade característica dos universos de Molder, invariavelmente presentes.
